A
casa da família fica no sítio Toco Preto, na zona rural do município.
Para abrigar a família durante a noite, o agricultor improvisou uma
cobertura para a carroceria com uma lona. Os sete integrantes da família
se dividem em quatro colchões que permanecem no caminhão.
“Toda
noite é a mesma coisa: a gente fica dentro de casa até o fim da novela e
depois vamos para o caminhão dormir”, diz Maria Cavalcanti, a matriarca
da família. “É melhor dormir aqui do que correr o risco da casa desabar
na nossa cabeça”, relata o neto de Seu Cícero, Siderlei Bandeira
Bezerra, de 12 anos.
Durante
o dia a família tenta levar a vida normalmente. As crianças vão para a
escola, Cícero segue para a cidade onde presta serviço de frete para a
prefeitura e dona Maria cuida da casa. Ela é quem tem mais medo dos
tremores. “Eu passo o dia inteiro com a porta aberta porque se precisar
correr fica mais fácil. Por mim eu já tinha ido embora daqui. A gente
não sabe que horas pode ter um tremor mais forte e Deus nos livre
acontecer uma desgraça”, diz.
O
quarto do casal, confortável e espaçoso, deve ficar vazio por um bom
tempo. “A gente só vai voltar a dormir lá quando alguém disser que não
vai ter mais tremor”, diz Cícero.
Ajuda psicológica
A Secretaria Estadual de Saúde Pública (Sesap) diz que na segunda-feira (11) haverá o envio de psicólogos ao município de
Pedra Preta. Também prestarão apoio, como forma de tranquilizar a
população, enfermeiros, acupunturistas e educadores físicos. As equipes,
segundo a secretaria, realizarão trabalhos de relaxamento, acupuntura,
rodas de conversa, exames físicos e aferição da pressão arterial, além
de palestra sobre medidas a serem tomadas para se tentar lidar com as
dificuldades.
O
chefe de gabinete da Prefeitura de Pedra Preta, Jorge Alessandro
Ferreira, informa que o pedido foi motivado pela tensão que os abalos
sísmicos têm causado nos moradores da cidade. "O tremor do dia 25 de
outubro, de magnitude 3,7, mexeu muito com os moradores. Só se fala
nisso desde então. Queremos acalmar e orientar as pessoas", explica.
Tremores consecutivos
O Laboratório Sismológico da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)
continua acompanhando a atividade sísmica que vem ocorrendo na
localidade de Cabeço Preto, em Pedra Preta, desde o dia 24 do mês
passado. Desde então, já foram registrados mais de 500 eventos, em sua
maioria microtremores, que não são percebidos pela população, sendo
apenas registrados pelas estações sismográficas mais próximas do
epicentro.
A
governadora Rosalba Ciarlini enviou uma equipe da Defesa Civil e do
Corpo de Bombeiros para Pedra Preta com o objetivo de avaliar os riscos
de desabamento de residências que foram afetadas com os últimos tremores
de terra que ocorreram na cidade. Uma equipe do Exército também se
deslocou para a cidade.
Na
ocasião, o coordenador estadual da Defesa Civil, coronel Josenildo
Acioli, aconselhou os moradores a permanecerem em suas casas e tratou de
tentar tranquilizar a população. "Não há motivo para abandono. Tomamos
as precauções para ter uma resposta rápida e eficaz se necessário",
afirmou.
Várias casas estão com rachaduras. Além disso, uma quadra de esportes da cidade foi interditada por risco de desabamento.
FONTE: Márcio Melo via G1-RN