A nota Vidas Perdidas e Racismo no
Brasil aponta que, além de Alagoas, estados como o Espírito Santo e a
Paraíba concentram o maior número de negros vítimas de homicídio.
““Enquanto a simples contagem da taxa de mortos por ações violentas não
leva em conta o momento em que se deu a vitimização, a perda de
expectativa de vida é tanto maior quanto mais jovem for a vítima”,
revela o estudo.
Os autores Daniel Cerqueira e Rodrigo
Leandro de Moura, ambos da Fundação Getulio Vargas (FGV), analisaram até
que ponto as diferenças nos índices de mortes violentas de negros e não
negros estão relacionadas com questões como as diferenças econômicas,
ao racismo e de ordem demográfica. “O componente de racismo não pode ser
rejeitado para explicar o diferencial de vitimização por homicídios
entre homens negros e não negros no país”, concluiram os pesquisadores
da FGV.
Considerando o universo dos indivíduos
vítimas de morte violenta no país entre 1996 e 2010, o estudo mostra
que, para além das características socioeconômicas – escolaridade,
gênero, idade e estado civil –, a cor da pele da vítima, quando preta ou
parda, aumenta a probabilidade do mesmo ter sofrido homicídio em cerca
de oito pontos percentuais.
“O negro é duplamente discriminado no
Brasil, por sua situação socioeconômica e por sua cor de pele”, dizem os
técnicos. No estudo, eles concluem que essas discriminações combinadas
podem explicar a maior prevalência de homicídios de negros quando
comparada aos índices do restante da população.
Coincidentemente, Alagoas, líder de
mortes violentas, especialmente o homicídio, contra negros e pardos
também simboliza a luta dos africanos escravizados trazidos da África,
no século 19, para trabalhar nos canais. A personificação desta luta
que, pelos índices apresentados no estudo do Ipea, ainda perdura é Zumbi
dos Palmares. Alagoano de nascença e natural de União dos Palmares,
Zumbi – duende na língua do povo Banto, de Angola – liderou o maior
quilombo do país.
Aos 7 anos, em 1670, ele foi capturado
por soldados e entregue ao padre Antônio Melo, responsável por sua
formação. Com o passar do tempo, Zumbi, batizado na Igreja Católica com o
nome de Francisco, fugiu para o Quilombo dos Palmares onde impressiona
os demais escravos fugidos de fazendas de engenho pela sua habilidade em
lutas. Aos 20 anos, ele já tinha se tornado o maior estrategista
militar e guerreiro, responsável pela derrota imposta pelos quilombolas
na luta contra soldados fiéis ao império português.
FONTE: Márcio Melo via Agência Brasil