Alegando
estar impressionado com a estrutura precária da unidade em Camaragibe (região
metropolitana do Recife), onde atuou por dois dias, pediu desligamento."É uma aberração: teto caindo, muito mofo e infiltração, uma parede que dá choque, sem ventilação no consultório, sala de vacina em local inapropriado, falta de medicamentos", afirmou.
Casos de desistência como esse frustraram parte dos municípios que deveriam receber anteontem 1.096 médicos brasileiros da primeira etapa do programa (os estrangeiros só vão começar depois).
BAIXAS
Em Vitória da Conquista (BA), dos
cinco médicos que deveriam ter começado, três já desistiram. Na região
metropolitana de Campinas, dos 13 selecionados, 5 pediram para sair. Na capital
paulista, 1 de 6 voltou atrás.
Em Salvador, 5 dos 32 convocados já
abandonaram, assim como 11 dos 26 profissionais previstos em Fortaleza. No
Recife, 2 desistências foram confirmadas de um total de 12 médicos
selecionados.
A Secretaria da Saúde de Salvador
disse que três desistiram porque passaram em concursos, enquanto outros dois
alegaram problemas com a carga horária.
A baiana Clarissa Oliveira, 27, disse
que recuou devido "à falta de estrutura" da unidade em que
trabalharia na periferia da capital baiana.
Em Caratinga (MG), um médico de 26
anos disse que abandonou devido à vinculação obrigatória de três anos.
O coordenador do Mais Médicos em
Fortaleza, José Carlos de Souza Filho, disse que médicos desistiram logo que
"ressaltamos que era necessário cumprir a carga horária de 40 horas e que
iriam ficar em bairros mais distantes".
Segundo ele, profissionais acharam que
poderiam usar parte da carga horária para se dedicar à especialização.
Em Camaragibe, Nailton Oliveira também
alegou não ter recebido alimentação nem moradia individual. A prefeitura nega,
diz que ele "demonstrou má vontade" e afirma que a unidade precisa de
reparos, mas "nada que impeça seu funcionamento".
OUTRO LADO
Em nota, a Prefeitura de Camaragibe
informou que ofereceu ao médico alimentação e acomodação, mas que Oliveira
"demonstrou má vontade em aceitar as condições de moradia e alimentação
sugeridas pelo município".
A prefeitura admitiu que a unidade
precisa de reparos. "Porém, nada que impeça o funcionamento normal do
equipamento comunitário de saúde", diz a nota.O Ministério da Saúde
informou ter disponibilizado R$ 413.550 para reforma e ampliação de unidades na
cidade.
A prefeitura negou falta de
medicamentos e informou que o médico disse que não cumpriria as 40 horas
semanais. De acordo com o Ministério da Saúde, profissional e município devem
negociar quanto dessa carga-horária será destinado à especialização exigida
pelo programa.
FONTE: O MURAL DE RIACHO GRANDE VIA FOLHA DE SÃO
PAULO